Como transportar biomaterial de um criobanco para outra clínica de FIV
Um criobanco é o local onde são armazenados embriões, esperma ou ovócitos congelados. Mas o que fazer se decidiu mudar de clínica ou se mudou de cidade? O material precisa de ser transportado.
Como organizar este processo, por onde começar e quanto tempo demora a preparação? Neste artigo explicamos como realizar o transporte de um criobanco para outra clínica de FIV, quais os documentos necessários e quais os aspetos a considerar para que tudo decorra sem problemas.
Comecemos pela questão mais frequente: quando surge realmente esta necessidade.
Quando é necessário transportar biomaterial de um criobanco
Existem várias situações em que é necessário transportar embriões, esperma ou ovócitos de um criobanco para outra clínica. Todas elas estão relacionadas com circunstâncias da vida e não com uma simples preferência.
Mudança de clínica de FIV
É a razão mais frequente.
O paciente ou o casal decide continuar o tratamento noutra clínica porque esta utiliza outros protocolos, possui outro equipamento ou conta com outros especialistas.
Por vezes, a mudança acontece simplesmente porque o tratamento na clínica atual não correspondeu às expectativas.
O material permanece armazenado no criobanco da antiga clínica, mas será utilizado na nova instituição.
Mudança para outra cidade ou país
O paciente muda de residência, mas o biomaterial permanece armazenado no local anterior.
Se o tratamento continuar no novo local de residência, será necessário transportar o material.
Material de dador
O criobanco onde está armazenado esperma ou ovócitos de dador pode estar localizado noutra cidade ou até noutro país.
A clínica de FIV onde o material será utilizado solicita então a entrega diretamente ao banco correspondente.
Que materiais podem ser transportados a partir de um criobanco
Praticamente todos, desde que tenham sido corretamente congelados e armazenados.
Transporte de embriões
Os embriões são o material mais frequentemente transportado a partir de criobancos.
Já foram criados e apenas precisam de ser transferidos para outro local.
No entanto, este processo exige atenção especial aos consentimentos. Se os embriões foram criados por um casal, normalmente será necessário o consentimento de ambos os cônjuges para a transferência.
Entrega de esperma
Pode ser transportado tanto material próprio do paciente como esperma de dador.
Para esperma próprio, normalmente é suficiente uma declaração do titular e a confirmação da clínica.
Para material de dador são necessários documentos adicionais relacionados com a origem e autorização de utilização.
Transporte de ovócitos
Tanto os ovócitos próprios da paciente como os provenientes de dadora seguem uma logística semelhante à do esperma.
O ponto principal é a verificação da identificação: os suportes dentro do contentor criogénico devem corresponder exatamente aos documentos.
Como coordenar a transferência entre o criobanco e a clínica
Esta etapa é frequentemente subestimada, embora possa demorar mais do que o próprio transporte.
A coordenação entre duas instituições médicas exige tempo e organização.
Confirmação da clínica recetora
O primeiro passo é obter da clínica para onde pretende enviar o material uma confirmação escrita de que está preparada para receber as amostras.
A confirmação deve indicar:
- quem irá receber o material (embriologista responsável);
- quando será possível realizar a entrega (data e hora);
- quais os documentos necessários.
Sem este documento, o criobanco não libertará o material.
Autorização do criobanco para entrega
O criobanco também não entrega o material automaticamente.
Normalmente serão necessários:
- pedido do titular para levantamento do material;
- confirmação da ausência de dívidas de armazenamento;
- consentimento do segundo titular, no caso de embriões;
- procuração, caso o material seja recolhido por um representante.
Cada criobanco possui procedimentos internos próprios. É importante confirmar os requisitos antecipadamente.
Que documentos são necessários
O conjunto documental para transportar material de um criobanco para uma clínica de FIV normalmente inclui:
- consentimento do titular ou titulares para a transferência do material;
- documento de identificação do titular;
- confirmação do criobanco sobre a entrega do material;
- confirmação da clínica recetora sobre a disponibilidade para receber;
- documentação médica do material, caso seja necessária para a clínica de destino;
- procuração, caso o material seja recebido por um mensageiro em nome do titular.
Como decorre o transporte a partir de um criobanco
Todo o processo, desde o primeiro pedido até à assinatura do documento de entrega e receção, pode ser dividido em várias etapas.
Preparação do Dry Shipper
A empresa transportadora entrega ao criobanco um contentor criogénico especial Dry Shipper.
Este é carregado com azoto líquido, é verificada a estanquidade e preparado para receber as amostras.
É importante que o Dry Shipper seja certificado para transporte aéreo e não contenha azoto líquido livre. Caso contrário, pode não ser autorizado a bordo.
Entrega das amostras ao mensageiro
Este é o momento mais importante do processo.
Um funcionário do criobanco ou um embriologista retira as amostras do armazenamento permanente e coloca-as no contentor de transporte.
O mensageiro não trabalha diretamente com o conteúdo das amostras. Esta tarefa é realizada apenas por profissionais autorizados da clínica ou do criobanco.
Depois de colocar as amostras no Dry Shipper, o contentor é selado.
O selo garante que ninguém abriu o contentor durante o transporte.
Transporte até à clínica
O mensageiro acompanha o contentor durante todo o percurso.
No aeroporto, o contentor não passa pelo scanner convencional. É transportado na bagagem de mão.
O mensageiro garante que o contentor permanece sempre na posição vertical.
Durante todo o trajeto é realizado acompanhamento através de:
- localização GPS;
- controlo da temperatura.
Receção do material na clínica
Na data e hora acordadas, o mensageiro chega à clínica recetora.
O embriologista verifica:
- integridade do selo;
- identificação das amostras;
- correspondência entre etiquetas e documentos;
- documentação do material.
Após a verificação, é assinado o documento de entrega e receção.
A partir desse momento, a responsabilidade pelo material passa para a clínica recetora.
Transporte internacional a partir de um criobanco estrangeiro
Quando o criobanco está localizado noutro país, o processo torna-se mais complexo.
São acrescentados requisitos alfandegários, uma vez que a importação e exportação de materiais biológicos são reguladas pela legislação nacional.
Podem ser necessários:
- documentos adicionais;
- traduções para o idioma do país de destino;
- autorizações específicas.
Um transportador profissional ajuda na preparação destas formalidades e coordena os procedimentos necessários.
Quanto tempo demora a preparação e a entrega
É importante distinguir dois períodos:
- tempo de preparação;
- tempo do próprio transporte.
A preparação pode demorar desde alguns dias até várias semanas.
Tudo depende da rapidez com que as clínicas e o criobanco conseguem coordenar documentos e autorizações.
Na prática, a preparação demora normalmente cerca de duas semanas.
O transporte propriamente dito costuma demorar entre 24 e 48 horas.
Para embriões frescos (não congelados), os prazos são mais rigorosos.
Os prazos admissíveis de transporte podem chegar a 7 dias, embora normalmente os processos internacionais sejam concluídos em 2 a 3 dias, incluindo procedimentos alfandegários.
De que depende o custo
O custo do transporte de um criobanco para uma clínica de FIV depende dos mesmos fatores que qualquer outro transporte criogénico:
- rota (cidade, país, continente);
- necessidade de fornecimento de Dry Shipper;
- volume e complexidade da documentação;
- urgência;
- número de escalas;
- duração total do percurso.
Principais causas de atrasos
É mais fácil evitar atrasos quando se conhecem os problemas mais frequentes.
Documentos incompletos.
É a causa mais comum. Falta uma assinatura, uma autenticação ou existe uma divergência nas datas.
Erros na identificação.
A marcação nas amostras não corresponde aos documentos e a clínica recusa receber o material.
Ausência de confirmação da clínica.
Sem confirmação escrita da clínica recetora, o criobanco não entrega o material.
Horários incompatíveis.
O criobanco entrega o material numa segunda-feira, mas a clínica apenas pode receber na quarta-feira.
Nestes casos, o material fica numa situação indefinida.
Lista de verificação antes de solicitar o transporte
Antes de encomendar o transporte de um criobanco para uma clínica de FIV, confirme:
- foi obtida confirmação escrita da clínica recetora;
- existe autorização do criobanco para entrega do material;
- todos os consentimentos necessários foram assinados;
- o consentimento do segundo titular foi obtido, quando aplicável;
- a identificação das amostras corresponde aos documentos;
- os documentos de identificação do titular estão preparados;
- existe procuração para o mensageiro, caso este recolha o material;
- para transporte internacional, estão preparadas as traduções e documentação alfandegária;
- as datas de entrega e receção foram coordenadas entre todas as partes.